119B - Empreendimentos sociais e o futuro desejável 12.Junho 2022


À medida que ampliamos nossa consciência, começamos a olhar o mundo com mais clareza. Aquilo que antes parecia natural passa a ser questionado. Percebemos que muitos sistemas que estruturam a sociedade não estão produzindo o tipo de mundo que realmente desejamos para nós e para as pessoas que amamos.

Quando essa percepção surge, algo novo também nasce dentro de nós: a possibilidade de imaginar e construir um futuro diferente.

Um futuro mais humano.

Um futuro em que prosperidade econômica e bem-estar coletivo possam caminhar juntos.

É nesse ponto que o empreendedorismo social começa a ganhar sentido.

Durante muito tempo acreditou-se que iniciativas voltadas para o bem comum necessariamente precisariam abrir mão da prosperidade financeira. Hoje percebemos que isso não é verdade. Existem empresas e organizações que conseguem unir impacto social positivo com modelos economicamente sustentáveis e até altamente lucrativos.

Um documentário que me marcou muito nesse sentido foi “Quem se importa”, dirigido por Mara Mourão. O filme apresenta a trajetória de dezenove empreendedores sociais que decidiram enfrentar problemas reais da sociedade e criar soluções inovadoras para eles.

O que une essas pessoas não é apenas a vontade de empreender, mas principalmente uma visão profundamente humana da realidade. Elas enxergam as necessidades de seus semelhantes e utilizam seus talentos para construir soluções que beneficiem muitas pessoas.

Essa atitude me lembra uma metáfora que sempre me inspira.

Existe uma diferença enorme entre assistir à vida da arquibancada e entrar na arena.

A arquibancada é o lugar dos críticos, daqueles que observam de fora e apontam o que poderia ter sido feito de outra maneira. A arena, ao contrário, é o espaço daqueles que se arriscam, que tentam, que erram e aprendem ao longo do caminho.

Empreender socialmente significa escolher a arena.

Significa assumir que o processo incluirá desafios, erros e aprendizados, mas também a possibilidade de construir algo que realmente transforme a realidade.

Quando olhamos para o mundo com essa perspectiva, começamos a imaginar aquilo que gosto de chamar de futuro desejável.

Na medicina, por exemplo, esse futuro talvez inclua uma mudança importante de foco. Em vez de concentrar todos os esforços apenas no tratamento de doenças, cresce a consciência sobre a importância da medicina preventiva e de um estilo de vida que preserve a saúde.

Na educação, o desafio também é profundo. Durante muito tempo o sistema educacional se concentrou quase exclusivamente na preparação para exames e vestibulares. Aos poucos começa a surgir a compreensão de que educar significa também formar seres humanos conscientes, capazes de desenvolver virtudes, responsabilidade e sensibilidade social.

Minha própria experiência como mãe me fez refletir muito sobre isso. Quando a vida moderna levou muitas famílias a colocarem crianças muito pequenas em ambientes escolares, surgiu um novo desafio: preservar o encantamento, a imaginação e a inocência que fazem parte da infância.

A pedagogia Waldorf, inspirada pelo pensamento de Rudolf Steiner, traz uma contribuição importante para essa reflexão ao propor uma educação que respeita os diferentes momentos do desenvolvimento humano.

Outro campo em que mudanças importantes começam a surgir é o da alimentação.

Durante minha formação em Engenharia de Alimentos na UNICAMP aprendi muito sobre processos industriais capazes de produzir alimentos visualmente atraentes e com longa duração nas prateleiras. Com o tempo, porém, fui percebendo cada vez mais a importância de uma alimentação simples, natural e preparada com cuidado.

Hoje procuro priorizar alimentos orgânicos e uma relação mais consciente com aquilo que coloco na mesa da minha família. Talvez um futuro desejável nesse campo seja exatamente esse: mais pessoas redescobrindo o valor de uma alimentação saudável e verdadeira.

Na relação com a natureza também temos muito a aprender.

Ao assistir relatos de lideranças indígenas sobre sua conexão com a terra, fiquei profundamente tocada. Povos tradicionais carregam um conhecimento ancestral sobre respeito e cuidado com o planeta que muitas vezes esquecemos na sociedade moderna.

Talvez possamos aprender muito com essa sabedoria.

Quando voltamos o olhar para o mundo interior das pessoas, percebemos outro desafio importante. Muitas decisões da nossa vida são guiadas por crenças profundas, muitas vezes inconscientes. Compreender essas crenças e transformá-las pode mudar radicalmente a forma como vivemos e escolhemos nossos caminhos.

Ao longo de minha própria jornada de autoconhecimento encontrei ferramentas importantes para trabalhar essas questões. Entre elas, o curso Avatar, desenvolvido por Harry Palmer, que me ajudou a identificar e transformar crenças limitantes.

E quando observamos o funcionamento das empresas, também encontramos um grande campo de transformação.

Uma empresa nada mais é do que um grupo de seres humanos trabalhando juntos. Quando esses indivíduos atuam sem consciência de seus valores e propósitos, muitas decisões acabam sendo tomadas de forma automática.

Por outro lado, quando pessoas com maior clareza interior se unem para empreender, algo diferente começa a acontecer.

Ao longo de anos trabalhando na região de Alphaville, em Campinas, tive a oportunidade de conversar com muitos empresários bem-sucedidos. Frequentemente faço duas perguntas a eles.

A primeira é: qual o fator mais importante para um empreendimento dar certo?

A resposta aparece com muita frequência: colocar a pessoa certa no lugar certo.

A segunda pergunta é: qual foi o elemento mais decisivo em sua trajetória de prosperidade?

Curiosamente, cerca de oitenta e cinco por cento deles respondem a mesma coisa: a intuição.

Talvez por isso eu acredite que empresas formadas por pessoas com maior consciência possam construir algo muito especial no futuro: empreendimentos socialmente responsáveis, economicamente prósperos e verdadeiramente humanos.

Se isso acontecer, a prosperidade gerada poderá ser reinvestida em algo ainda mais valioso: iniciativas que ampliem a consciência das pessoas, criando novas formas de educação, desenvolvimento humano e cuidado com a vida.

Talvez esse seja um dos caminhos possíveis para o futuro que desejamos construir.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

345 - Ontem fiz 3 captações de casas de R$3 a 5 milhões .... Eu me encantei com a oportunidade de conhecer proprietários tão encantadores... Conversas de 2 a 3 horas...

290 - Meu primeiro ensaio fotográfico com 70 anos ! Um sonho realizado, e se eu posso, voce também pode !!!

374 - Sementes da CONSCIÊNCIA semeados em uma Jornada de 70 anos de vida...