415 - SINOPSE - PARTE C - Os tombos que levei na vida.

 Quando tinha 18 anos, iniciando Engenharia de Alimentos na Unicamp, eu me sentia totalmente um peixe fora da agua. Tinha um livro de Quimica Orgânica em ingles do Mahan, tinha 400 folhas e eu tinha que estudar e não sabia ingles. Peguei dependencia desta matéria, e tive a sorte de que houve férias de verão e eu passei na matéria.

Os conflitos na minha cabeça eram tantos que eu comecei a ficar cleptomaniaca e na epoca eu não sabia nada disso.

Um dia nas Lojas Americanas estava vendo um anel, e coloquei dentro da minha bolsa. Imediatamente senti alguem batendo nas minhas costas e eu ouvi:
- Por favor, voce me acompanha...
Era o guarda da loja que me encaminhou a um quartinho e disse:
- Voce tem um anel na sua bolsa, pode pagar ou deixar na mesa.
Eu tirei da bolsa e deixei na mesa. Perguntei se podia ir. O guarda disse que sim.
Aquele momento foi um divisor de aguas na minha vida.
Eu percebi que estava sozinha no mundo, não tinha ninguem com quem eu pudesse pedir ajuda.

Um dia meu ex marido chegou para mim e disse:
- Estou indo embora buscar uma mulher que me faça feliz, voce não me faz feliz.
E me deixou com 3 filhos : com 2, 12 e 19 anos.
A partir dquele dia fui uma mãe solo com 5 objetivos:
Ter os 3 filhos formados na Unicamp e/ou USP, saber ingles fluente, tocar um instrumento musical muito bem, morar em um bom condominio e estudar nas melhores escolas. Outro dia eu fiz as contas e gastei R$10 milhões.
Mas, consegui alcançar meu objetivo.

Um dia eu perdi minha filha Lia com 9 meses, eu tive eclânsia.
Eu já tinha os dois filhos e uma menina seria o meu sonho de mãe. Aliás sempre pensei que a maternidade era uma benção de Deus. Tinha uma vida que trabalhava 12 horas e minha meta era ganhar muito dinheiro. 
A Lia nasceu só para me dizer:
- Mamãe a vida não é isso... 
Tive que ficar na maternidade por uns dias. E tinha uma hora em que a enfermeira chegava com um carrinho que chamávamos de "cegonha" com um montão de bebês. 
E a minha bebê não chegava.
Chorava muito naqueles dias.
A perda de um filho dilacera o coração, é uma dor que só uma mãe que já passou por isso sabe dizer.

Um dia o Gabriel nasceu prematuro com 1.200 gramas e depois chegou a 800 gramas. Ficou na UTI de pré natal em Campo Grande por 45 dias. Eu não dormia no hospital e todo dia de manhã eu chegavano hospital e não sabia se ele estava vivo ou morto. Foram 45 dias de uma angústia enorme, uma expectativa que findou no 45º dia em que fomos para casa.
Uma alegria enorme, um desafio de dias e dias fazendo massagem naquele corpinho pequeno e ensinando-o a mamar.

Um dia meu filho e sócio da imobiliária iniciamos a sociedade que evoluiu muito chegando a mais de 100 funcionários e um faturamento expressivo. Então as divergências de uma diferença de mais de 30 anos começaram a influir nas decisões da empresa. Foram momentos em que senti muita impotência em não conseguir encontrar uma solução boa para continuarmos a nossa empresa.



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