290 - Meu primeiro ensaio fotográfico com 70 anos ! Um sonho realizado, e se eu posso, voce também pode !!!






 Há sonhos que não desaparecem com o tempo.

Eles permanecem em silêncio, acompanhando a vida enquanto outras prioridades ocupam espaço, esperando o momento em que possam, finalmente, encontrar lugar para existir. Nem sempre sabemos quando esse momento chega, mas, quando chega, há uma espécie de clareza que não precisa ser explicada.

Foi assim que vivi meu primeiro ensaio fotográfico.

Aos 70 anos, me permiti realizar algo que esteve presente em mim por muito tempo, não como urgência, mas como um desejo guardado, que amadureceu junto com a minha própria trajetória. Não foi uma conquista no sentido habitual da palavra, mas um encontro. Um encontro comigo mesma, com a minha história, com tudo aquilo que fui me tornando ao longo dos anos.

Existe algo especial quando fazemos algo pela primeira vez em uma fase mais madura da vida.

Não há mais a necessidade de provar nada, nem para o outro, nem para si. Há apenas presença. Uma disposição mais verdadeira de viver a experiência como ela é, sem pressa, sem comparação, sem expectativa de reconhecimento.

O ensaio, naquele dia, foi mais do que imagens. Foi um processo.

Desde a preparação, ainda nas primeiras horas da manhã, até cada detalhe cuidado com atenção por quem estava ali comigo, havia uma delicadeza que transformava o momento em algo maior do que um simples registro. Sou profundamente grata ao Eduardo e à Elizabety por abrirem sua casa no Alphaville para esse cenário, à Vanessa Meirelles, que há tantos anos fotografa com sensibilidade aquilo que não se vê de imediato, e à Mary, que com paciência e presença cuidou de cada detalhe para que eu estivesse pronta naquele instante.

Mas o que ficou não foram apenas as fotos. Foi a sensação. Uma mistura de força, leveza e plenitude que surge quando atravessamos algo que, por muito tempo, parecia distante. Não pela dificuldade em si, mas pelo tempo que levamos para nos permitir viver.

Esse tipo de experiência nos mostra algo importante.

A vida não se organiza apenas pelo que fazemos, mas também pelo que adiamos. E, muitas vezes, aquilo que adiamos não desaparece, apenas aguarda o momento em que estaremos prontos para viver de outra forma.

Lembro-me de uma viagem que fiz há alguns anos, em um cruzeiro, onde tive a oportunidade de conversar com muitas pessoas. Foi ali que percebi algo que ficou comigo: havia pessoas com menos recursos, menos formação, mas que viviam com uma leveza e uma alegria que não dependiam dessas condições. Aquela percepção abriu um espaço de reflexão que, aos poucos, foi me conduzindo para dentro.

Entendi que a plenitude não está necessariamente ligada ao que acumulamos, mas à forma como nos relacionamos com a vida. E talvez esse ensaio tenha sido, também, uma expressão desse entendimento.

Não como um ponto de chegada, mas como um momento de reconhecimento. Um daqueles instantes em que percebemos que ainda é possível viver coisas novas, não apesar da idade, mas justamente por causa de tudo o que ela trouxe.

Há uma liberdade silenciosa nisso.

A de não precisar mais esperar pelas condições ideais, pela validação externa ou pelo momento perfeito. Apenas reconhecer que, em algum ponto, aquilo que sempre esteve dentro de nós encontra espaço para existir.

E, quando isso acontece, não há necessidade de anunciar. Há apenas um sentimento sereno de que a vida, naquele instante, foi vivida por inteiro.

Com gratidão, deixo aqui esse registro da minha alma, na esperança de que ele desperte em você a vontade de sonhar e de realizar os seus sonhos também"

Comentários

  1. Sem dúvida uma inspiração e um presente fazer um pouco parte dessa realização, que a vida ainda reserve muitas! Foi um prazer Márcia ❤️

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    1. Que alegria sentir este pertencimento na realização do meu sonho, sonhado a tanto tempo. Imensa gratidão Mary ...

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  2. Márcia, fico muito emocionada ao sentiir o impacto positivo das nossas fotos em sua alma. Você é muito gennerosa e inspiradora. Foi um prazer imenso te registrar, uma honra. Conte comiggo sempre!

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    1. " Feliz em sentir o impacto positivo em minha alma..."
      Refletindo aqui, ter esse corpo físico não foi fácil.
      Foram 30 anos de comida orgânica, ovos do YAMAGUISHI, carne de frango da KORIN, e cozinhar todo dia evitando comida processada durante 30 anos.
      Uma busca em equilibrar e evoluir sempre meus corpos físico, mental, emocional e espiritual. Estudar muito a antroposofia de Rudolf Steinar, CNV de Marshal Rosemberg, Constelações Familiares de Bert Hellinger, Patwork de Eva Pierrakos, Mecânica Quântica do Hélio Couto, Negociação de Willian Ury, ouvir muito a Lúcia Helena Galvão, etc
      Rituais diários de tomar uma Mistura de cenoura, couve, ameixa, assafrão, laranja. Banho quente/Frio/quente na hora de dormir e Frio/Quente/Frio na hora em que acordo.
      Protagonismo e disciplina em manter o peso, fazer academia, yoga e hidroginástica com hidrofofoca com minhas amigas queridas.
      Mas, hoje com 70 anos, valeu a pena.
      Ter uma mente de 70 anos e um corpo físico de uma jovem, com energia e disposição para aprender muito ainda e mudar tanta coisa errada que fazemos naquela frase:
      Se mil moscas comem bosta, então vamos comer a bosta também.
      Ah! Eu não como mesmo.
      Não acredito que a vida é estudar, trabalhar para pagar as contas e aposentar e então ser feliz.
      Acredito que podemos sim ter uma vida toda, a cada minuto, fazendo coisas que amamos fazer e servindo as pessoas que amamos.
      Tendo uma vida no seu lugar no mundo e trabalhando no nosso IKIGAI!!!
      Como voce pensa sobre isso Vanessa?

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