#.357 Nascemos duas vezes, a primeira quando chegamos ao mundo e a segunda quando descobrimos nosso propósito de vida.
030 - Qual é o maior presente que uma mãe pode oferecer a um filho?
Por Marcia Akahoshi – outubro 30, 2017
Dizem que nascemos duas vezes.
A primeira, quando chegamos ao mundo.
A segunda, quando descobrimos o propósito da nossa vida.
Apoiar um filho nessa segunda descoberta talvez seja o maior presente que uma mãe ou um pai podem oferecer. Um presente que não se compra, não se ensina por palavras prontas e não vem embalado. Ele se constrói ao longo do tempo, na forma como conduzimos, acompanhamos e sustentamos o caminho de quem amamos.
Mas para isso, alguns pré-requisitos são fundamentais.
O primeiro é que eu mesma tenha caminhado em direção a esse encontro.
Só podemos apoiar alguém em uma jornada que, de alguma forma, já iniciamos em nós. Não se ensina aquilo que não se vive. Esse caminho passa pelo autoconhecimento, pela auto responsabilidade e pela coragem de olhar para dentro.
Perguntas difíceis precisam ser feitas:
Por que estou aqui? O que me move? O que me irrita? O que ainda não consegui perdoar?
É nesse processo que aprendemos a buscar um pensar mais claro, um sentir mais sereno e pleno e um querer verdadeiramente alinhado, para então agir com mais harmonia no mundo.
O segundo pré-requisito é compreender, com maturidade, o verdadeiro significado do livre arbítrio na infância.
Criar espaço para que o filho pense, sinta, queira e participe das decisões é essencial. A criança precisa ser ouvida, precisa aprender a analisar possibilidades, expressar desejos e construir critérios. Isso educa a consciência e fortalece a autonomia interior.
Mas é igualmente importante reconhecer que o peso das grandes decisões não deve recair sobre a criança. A participação não significa delegar responsabilidades que ainda não podem ser sustentadas emocionalmente. O papel dos pais é conduzir o processo, oferecer clareza, limites e amparo, assumindo a responsabilidade final pelas escolhas estruturantes da vida.
Lembro de um momento em que meu filho, ainda muito jovem, expressou o desejo de mudar de escola. O processo foi vivido de forma consciente: visitamos instituições, analisamos propostas pedagógicas, conversamos sobre o que fazia sentido para ele. Sua opinião foi considerada, respeitada e integrada. Mas a decisão foi sustentada por nós, adultos, com responsabilidade e presença.
Esse equilíbrio entre escutar e sustentar é o que verdadeiramente educa.
Desde pequeno, ele pôde exercer o livre arbítrio nas pequenas escolhas do cotidiano. Com o tempo, foi ampliando sua capacidade de discernimento, sempre acompanhado, nunca solto. Educar não é soltar, é sustentar enquanto se prepara para voar.
O terceiro pré-requisito é ser porto seguro.
Saber que, independentemente dos erros, o filho pode contar conosco. A confiança incondicional não impede consequências, mas garante pertencimento. Quando a criança sabe que não será abandonada, ela ousa, tenta, erra e aprende. Não vive para agradar ou corresponder aos sonhos alheios. Aprende a dizer sim e não a partir de si.
O quarto é enxergá-lo como uma semente divina.
Cada criança carrega atributos sagrados, muitos ainda invisíveis aos nossos olhos. Nossa tarefa não é moldar, mas cultivar. Acreditar nesse potencial, mesmo quando ele ainda não se manifesta, é um ato profundo de amor e fé na vida.
O quinto pré-requisito é apostar na simplicidade.
Educar não precisa ser complexo. Quando há clareza de valores, presença verdadeira e amor incondicional, o pensar se organiza, o sentir se acalma e o querer encontra direção. A essência dos ensinamentos que inspiram essa visão nos lembra que, depois de muito estudo e dedicação, algo sagrado se revela: a simplicidade como expressão de sabedoria.
Concluo que a grande função dos pais é assumir uma tarefa formativa e encorajadora: reconhecer os talentos únicos de cada filho, apoiá-los na superação de obstáculos e permitir que, no tempo certo, sua própria árvore floresça e ofereça frutos ao mundo.
E a bússola que nos indica se estamos no caminho certo é simples e inconfundível:
o brilho nos olhos.
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