#.348 Amor e Poder na Arte de Negociar: liderança consciente em ação


No imaginário coletivo, o mercado imobiliário — especialmente o de alto padrão — costuma ser associado à disputa, à vantagem máxima e à lógica do “ganhar ou perder”. Durante muito tempo, acreditou-se que negociar bem exigia dureza, frieza e a capacidade de impor condições.
Mas a vida, quando vivida com profundidade, ensina outra coisa.

Aprendi que poder sem amor nas negociações se torna imprudente e abusivo.
Ele pressiona, manipula informações, acelera decisões que ainda não amadureceram e trata pessoas como números. Pode até fechar contratos, mas deixa rastros invisíveis: ressentimento, insegurança e relações rompidas. É um poder que vence no papel, mas fracassa no humano.

Da mesma forma, amor sem poder também não sustenta uma negociação justa.
Acolher sem posicionar, compreender sem conduzir, ceder por medo de desagradar cria acordos frágeis. Contratos assinados sem clareza retornam em conflitos futuros. O sentimentalismo, quando não é acompanhado de firmeza, torna-se anêmico e injusto com todas as partes.

Foi no exercício diário da profissão que compreendi:
negociar é um ato de liderança moral.

O verdadeiro poder, nesse contexto, não está em dominar a outra parte, mas em conduzir o processo com consciência, clareza e responsabilidade.
É a capacidade de sustentar conversas difíceis.
De dizer a verdade, mesmo quando ela não é conveniente.
De proteger o tempo, o patrimônio e a dignidade emocional de compradores e vendedores.

Viver o poder com amor começa na escuta.
Escutar não apenas o que é dito, mas o que está por trás da decisão de comprar ou vender um imóvel: mudanças de ciclo, lutos, expansões, medos e sonhos.
Essa escuta gera confiança — e confiança é uma forma elevada de poder.

Mas escutar não elimina a necessidade de decidir.
Amar, nesse campo, não é evitar tensão.
É assumir a responsabilidade de orientar, de estabelecer limites, de esclarecer riscos e de sustentar acordos justos, mesmo quando isso exige firmeza.

Na liderança, aprendi que poder com amor se expressa na coerência.
Entre discurso e prática.
Entre valores e ações.
Entre o que se promete e o que se entrega.

No mundo econômico, essa postura transforma resultados.
Negociações conscientes geram relações duradouras, reputação sólida e prosperidade sustentável.
Não se trata de ganhar menos, mas de ganhar com sentido.

Pensar com o coração, na prática profissional, nunca foi ser ingênua.
Foi escolher agir sem trair a alma, mesmo em ambientes onde a força bruta parece ser a regra.
Foi compreender que a verdadeira autoridade nasce quando amor e poder caminham juntos.

Amor, aqui, é reconhecer que cada imóvel carrega uma história de vida.
Poder é ter a competência, a firmeza e a presença necessárias para conduzir essa história a um desfecho justo.

Quando o amor orienta e o poder executa, a negociação deixa de ser apenas um contrato.
Ela se torna um ato de justiça, consciência e criação de valor real.

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