#.345 Transição de Carreira: Quando a Vida nos Convida a Orquestrar Saberes

 



Ao longo da minha trajetória, aprendi que as maiores transições da vida não começam no mundo externo.
Elas começam em silêncio, no mundo interno, quando algo em nós já não se satisfaz apenas com repetir o que sempre funcionou.

Minha história profissional não é linear.
Ela é feita de escolhas, rupturas conscientes, coragem para recomeçar e, sobretudo, da disposição de escutar a vida quando ela me chamava para um novo capítulo.

Fui engenheira formada pela UNICAMP, atuei no mundo corporativo, empreendi em diferentes áreas, enfrentei riscos reais, fracassos, reconstruções e conquistas. Vivi a experiência de liderar empresas, lidar com a natureza, criar tres filhos sozinha e sustentar decisões difíceis quando não havia garantias externas — apenas a convicção interna de que era preciso seguir.

Com o tempo, compreendi algo essencial:
não era sobre mudar de carreira.
Era sobre integrar quem eu me tornava a cada fase da vida.

As transições mais profundas que vivi não aconteceram quando troquei de função, mas quando mudei o lugar interno de onde eu decidia. Foi ali que aprendi a diferenciar urgência de chamado, medo de prudência, conforto de estagnação.

Hoje reconheço que muitas pessoas chegam à transição de carreira não por fracasso, mas por maturidade. Elas já conquistaram muito, aprenderam muito — e justamente por isso sentem que há algo mais querendo nascer.

Foi dessa vivência que surgiu minha forma de compreender a transição:
não como ruptura, mas como orquestração de saberes.

Orquestrar Saberes é reconhecer que nada do que vivemos foi em vão. Cada experiência, cada erro, cada sucesso e cada virtude cultivada ao longo da vida compõem um repertório precioso. A questão não é abandonar o passado, mas perguntar com honestidade:

Como tudo o que vivi pode servir de uma forma mais verdadeira agora?

Ao longo dos anos, percebi que muitas pessoas permanecem presas a zonas de conforto disfarçadas de segurança. Continuam fazendo o que sabem fazer, mas com pouca alegria, pouca inspiração e muita urgência. Produzem, mas não criam. Executam, mas não se reconhecem mais no que fazem.

Foi nesse contexto que uma frase antiga passou a me acompanhar como um princípio de vida:

“Ó Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
coragem para mudar aquelas que posso,
e sabedoria para distinguir umas das outras.”

Essa oração não fala de passividade.
Ela fala de discernimento — uma virtude essencial em qualquer transição consciente.

Aprendi que serenidade é aceitar o que não depende mais de nós.
Coragem é agir onde somos responsáveis.
E sabedoria é reconhecer o tempo certo de cada movimento.

Na transição de carreira, produtividade também ganha outro significado. Não se trata de fazer mais, mas de agir com verdade. Simplificar, encerrar ciclos, experimentar novos formatos e permitir que uma atuação mais autoral emerja, sem pressa e sem autoengano.

Hoje, minha atuação profissional — especialmente no mercado imobiliário de alto padrão — é expressão dessa integração. Não vendo apenas imóveis. Acompanho pessoas em momentos profundos de transição de vida. Escuto, observo, discernindo com elas o que precisa ser aceito, transformado ou aguardado.

A prosperidade que busco e cultivo não se limita ao dinheiro. Ela se manifesta na consciência, na alegria de servir, na leveza das relações e na coerência entre quem sou e o que faço. O dinheiro, quando vem, é consequência desse alinhamento.

Escrevo este texto para você que sente que algo em sua trajetória pede um novo arranjo — não uma negação da sua história, mas uma expressão mais madura dela.

Transitar não é desistir.
É honrar quem você se tornou.

Quando acessamos o poder do nosso mundo interno, a transição deixa de ser um salto no vazio e se transforma em um ato de consciência. E quando a consciência guia, a vida responde.

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