#.318 No mundo social a FRATERNIDADE Na justiça a IGUALDADE Na espiritualidade a LIBERDADE

 




No Brasil, vivemos sob um ciclo político que se reinicia a cada quatro anos. Mudam-se prioridades, mudam-se diretrizes, mudam-se ministérios, e o país parece recomeçar constantemente sem jamais avançar em linha contínua. Essa descontinuidade não é apenas um problema administrativo; ela destrói a possibilidade de um projeto de nação. Nada amadurece. Nada ganha raízes. Nada atravessa gerações.

E talvez o maior impacto disso esteja justamente onde mais precisaríamos de continuidade: na educação e na formação de nossas crianças.

A cada mudança de governo, a educação é redesenhada conforme a ideologia do momento. Mas o desenvolvimento humano não obedece ciclos eleitorais — ele segue ritmos internos, etapas de consciência, necessidades profundas que não podem ser interrompidas ou reconfiguradas a cada troca de liderança. Uma criança não pode ser educada com base na alternância de interesses partidários. Ela precisa de um eixo. De uma direção humanizadora. De coerência.

E é aqui que surge o problema mais sério do Brasil — mais sério até do que pobreza, desigualdade ou economia instável: não oferecemos às crianças uma formação interior que as prepare para pensar, sentir e agir com liberdade e responsabilidade.

Enquanto isso, a sociedade inteira cresce sob a pressão de “ganhar dinheiro para sobreviver” antes de poder pensar em consciência, propósito ou sentido. Mas deveria ser o contrário. Se desde cedo cultivássemos:

  • força interior,

  • pensamento vivo,

  • capacidade de discernimento,

  • vínculos humanos verdadeiros,

  • e um sentimento de responsabilidade por si e pelo mundo,

a busca pelo dinheiro seria consequência, não prioridade. Seria fruto da expressão do talento, não uma luta por sobrevivência.

Educar para a consciência não é um luxo. É a base de tudo. É o que forma seres humanos capazes de atravessar crises, de cooperar, de criar, de empreender, de governar, de transformar realidades — mesmo em sistemas políticos instáveis.

Talvez o Brasil não precise de um líder que dure mais que quatro anos.
Precisa de cidadãos que carreguem dentro de si um núcleo de consciência que não muda a cada eleição.

Porque quando o mundo interior é forte, nenhum cenário político desvia o indivíduo de sua missão.
E é isso que falta: formar seres humanos que compreendam que a vida não é apenas ganhar dinheiro — é escrever uma biografia com sentido.






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