Quando os adultos não confiam o suficiente para delegar decisões cotidianas, cometem um dos maiores equívocos na educação., ao impedir que a criança vivencie as consequências de suas escolhas, privam-na da formação da vontade. É no exercício de pensar, sentir e agir a partir de sua própria decisão que se estrutura uma personalidade forte e íntegra.
A vontade é uma força silenciosa e profunda que habita o ser humano. Não se trata apenas de desejar ou de querer algo no plano das ideias, mas da capacidade de transformar intenção em ação. É ela que sustenta o movimento entre o que pensamos, o que sentimos e aquilo que, de fato, realizamos no mundo.
Ao longo da vida, podemos compreender que o pensar nos oferece clareza, o sentir nos conecta ao significado das experiências, mas é a vontade que nos conduz à concretização. Sem ela, o conhecimento permanece estagnado e as emoções, ainda que intensas, não encontram expressão na realidade.
Na infância, a vontade não se desenvolve por meio de discursos ou orientações excessivas, mas pela vivência. É quando a criança pode agir por si mesma, experimentar escolhas simples e, principalmente, perceber as consequências de suas ações, que essa força começa a se estruturar. Cada pequena decisão, cada tentativa, cada erro e acerto compõem o tecido invisível da autonomia.
Quando o adulto interfere de forma excessiva, protegendo ou decidindo pela criança, ainda que com boas intenções, interrompe esse processo essencial. Ao impedir que ela viva suas próprias experiências, limita o fortalecimento da sua vontade — e, com isso, fragiliza a construção de uma base interna sólida.
É no exercício contínuo de pensar, sentir e agir a partir de si que se forma uma personalidade íntegra. A vontade, então, deixa de ser apenas um impulso e passa a ser direção. Torna-se a força que sustenta escolhas, atravessa desafios e permite ao ser humano caminhar com consciência, coragem e verdade.
Outro dia conversava com um advogado que exercia o trabalho no consultorio e também lecionava em algumas faculdades. Então eu comentei que devia ser muito bom passar seus ensinamentos da prática para os alunos. E ele me disse que se sentia frustrado neste trabalho porque os jovens hoje não tinham a vontade de aprender.
Estamos formando jovens com esta energia da VONTADE de transformar imaginação em ação ?
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