445s - 24 (Parte B) Quinhentas crianças saíram daquele encontro (2014) com um chinelo nos pés, um panetone nos braços e uma semente invisível no coração. A semente da dignidade. A semente da possibilidade. A semente da fé em si mesmas.
Quando 500 crianças ouviram que eram poderosas
O Natal na Casa Maria de Nazaré
Por Marcia Akahoshi — dezembro de 2014
A festa de Natal na Casa Maria de Nazaré, naquele dezembro de 2014, foi a continuação natural de tudo o que havia sido semeado antes. Quinhentas famílias receberam um panetone. Quinhentas crianças receberam um chinelo. Mas, acima de tudo, receberam algo que não cabe em nenhuma sacola.
O mais bonito daquele dia não foi o número de doações, nem a organização da festa, nem mesmo os presentes. O mais bonito foi o que aconteceu em silêncio, criança por criança, quando o Papai Noel se abaixava e sussurrava ao pé do ouvido.
Ele dizia que elas eram lindas.
Que Deus estava dentro delas.
Que elas podiam tudo o que quisessem na vida.
Que eram poderosas.
Não era uma frase bonita. Era uma afirmação de existência.
Para muitas daquelas crianças, talvez aquela fosse a primeira vez que alguém lhes dizia, olhando nos olhos, que elas tinham valor. Que não estavam condenadas a repetir a história da falta. Que dentro delas havia uma força maior do que o lugar onde nasceram.
Naquele dia, o Natal deixou de ser apenas uma data e se tornou uma experiência espiritual. Não no sentido abstrato, mas no mais concreto possível: quando um ser humano reconhece no outro a presença de Deus e o lembra de quem ele é.
Foi isso que aconteceu ali.
Quinhentas crianças saíram daquele encontro com um chinelo nos pés, um panetone nos braços e uma semente invisível no coração. A semente da dignidade. A semente da possibilidade. A semente da fé em si mesmas.
E às vezes é isso que muda uma vida inteira.
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